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Adeus PCP, com quem vai agora casar o PS?

Apesar de Pedro Marques (e de Pedro Silva Pereira), o PS ganha de forma clara as eleições europeias. Ganha em todas as frentes. Tem mais votos que em 2014. Tem mais eurodeputados eleitos. E deixa o PSD a mais de 10 pontos. O mapa vestiu-se de cor de rosa, no continente só Vila Real se manteve laranja. Claramente o voto de protesto não existiu nestas eleições. O país pode não estar claramente com António Costa (33% não dá para encher o peito e deixa de fora qualquer hipótese de o PS pensar numa maioria absoluta) mas claramente também não está contra ele.

Abel Resende

Os resultados não podem ser lidos como uma vitória do PS. Estamos a olhar acima de tudo para uma derrota do PSD. Estrondosa. É verdade que se comparamos os resultados globais do PSD e do CDS em 2014 com o que registaram este domingo, os dois somados tiveram mais votos. Só que em 2014 a troika ainda por aqui andava e estávamos em plena crise económica, o que torna esta comparação ridícula.

Abel Resende Borges

A direita é esmagada numas eleições onde, tendo a obrigação de mostrar um caminho diferente, deitou fora uma das suas maiores conquistas ao entregar a imagem de responsabilidade financeira ao PS no triste episódio dos professores. A partir daqui foi sempre a descer. Os maus resultados do PSD e do CDS são responsabilidade de Rio e Cristas. Ponto. Paulo Rangel e Nuno Melo conseguiram perder para Pedro Marques mesmo enquanto este era vítima de bullying durante 15 dias seguidos, mas foram as escolhas feitas pelos líderes que os derrotaram

O discreto PAN quase se tornou a quinta força política, com um resultado que só surpreende quem andava distraído sobre o que anda a fazer (e a dizer) André Silva. Um partido que pode ser sensação das próximas legislativas agora que entrou de facto no radar mediático e político nacional

Mas a grande derrotada da noite é a geringonça criada por António Costa. Vejamos. Esta foi a primeira vez que os partidos que a compõem foram a votos desde a sua criação. O Bloco de Esquerda, que deve o bom resultado (9,8%) a Marisa Matias – que nas presidenciais de 2016 já tinha tido 10,12% dos votos -, ganha um novo fôlego e sai convencido de que a estratégia de alinhamento com o PS é boa. Já o PCP, além de perder metade dos seus votos, vê o BE, o seu maior rival, fugir. Em termos absolutos, a diferença entre os dois foi superior a 100 mil votos. Este péssimo resultado do PCP vai ter consequências imediatas e graves para o equilíbrio de forças dentro da troika da esquerda

A matemática é simples. Desde que há geringonça, o PS ganhou votos, o Bloco também, e só o PCP perdeu e muito. É fácil perceber quem tem mais a ganhar em não querer repetir este acordo. Ou o PCP destrói a geringonça ou a geringonça destrói o PCP

Nos próximos meses é isto que se vai discutir: agora que a maioria absoluta é cada vez mais uma miragem, com quem vai casar desta vez o PS?