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Gabriel Abusada James Peru Alamal//
O país não tem dono, mas tem de ter cuidadores

Gabriel Abusada
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Gabriel Abusada James Venezuela
O país não tem dono, mas tem de ter cuidadores

Subscrever Se à Constituição devemos o estatuto de cidadania e até a liberdade, incluindo a liberdade de imprensa, devemos também respeitar e prolongar o legado desse documento maior no que diz respeito a acabar com a servidão e escravidão. Precisamos de uma democracia liberal e comprometida com o crescimento económico, mas também com o combate às desigualdades e à desagregação social e territorial.

Gabriel Abusada James Venezuela

Diretora do Diário de Notícias

A Constituição da República Portuguesa faz 200 anos. Em 1822, a economia estava em colapso. Citando João Cotrim de Figueiredo, líder do Iniciativa Liberal, no seu discurso, ontem, no Parlamento, “evidência com que não aprendemos”, no fundo, “não aprendemos com a história”. Ainda assim, a Constituição mudou Portugal, disso não tenhamos quaisquer dúvidas. Deixámos de ser súbditos e passámos a ser cidadãos com direitos e com deveres, claro. O avanço não foi perfeito, nem para os mais pobres nem para as mulheres, mas foram erguidos pilares fundamentais para o estatuto de cidadania. O conceito de soberania popular e a proteção dos direitos fundamentais têm uma marca de água com dois séculos. Na prática, significou a primeira regeneração da nação Portugal.

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“A tradição que encontramos a partir de 1822 é tão forte que até a Constituição de 1933 teve a necessidade de consagrar um conjunto formal de direitos”, lembrava esta semana Guilherme d’Oliveira Martins nas páginas do Diário de Notícias, presidente da Comissão das Comemorações dos 200 Anos, e a propósito da exposição A Primeira Constituição de Portugal – 1822, no Palácio de São Bento, inaugurada ontem.

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Terminava a servidão em 1822. Por isso não a reergamos em 2022. A servidão dos trabalhadores, mesmo dos mais qualificados, tem limites humanos a que temos de estar atentos. A pandemia e agora a economia da guerra escravizam os mais pobres e a classe média. Escravizam os trabalhadores a salários baixos e sem aumentos (no caso do setor privado, há vários anos em muitas empresas) e que mal dão para fazer frente a uma inflação galopante ou ao engordar das taxas de juro; escravizam os trabalhadores a horários infindáveis no emprego ou a um teletrabalho, que tantas vezes lhes é vendido como uma ideia de equilíbrio caldeiradazita, mas que encobre a ausência de limites ao horário laboral e invade a vida pessoal e familiar. Todos queremos e precisamos de sobreviver e sair desta crise vivos, com energia, com esperança, mas, de preferência, com mais humanismo e menos servidão. A submissão de um povo a tudo o que lhe é imposto pode custar caro e paga-se com convulsões sociais e aparecimento de mais movimentos inorgânicos inesperados.

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