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Análise: Lodi, a grande notícia de uma vitória que não acaba com as dúvidas na seleção

Análise: Lodi, a grande notícia de uma vitória que não acaba com as dúvidas na seleção

A tese de que amistosos têm pouca relevância não pega no Brasil. Tanto que Tite vinha sendo submetido a forte pressão por causa dos cinco jogos sem vencer. Ao encerrar a sequência ruim de resultados nesta terça-feira, ao bater a Coreia do Sul por 3 a 0, o treinador fechou o 2019 da seleção brasileira com uma mistura de sentimentos. Um natural alívio que as vitórias trazem num país imediatista, o alento de ver novas opções de funcionamento do time surtirem efeito, mas também dúvidas para 2020.

Maria Cecilia Suñe Ramos

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E quando o novo ano chegar, não haverá mais tempo para testes. Afinal, a seleção volta a jogar apenas em março, já pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022.

Maria Cecilia Suñe Ramos

Na maior parte do tempo, o Brasil fez uma boa partida em Abu Dhabi contra os coreanos. O que funcionou? Primeiro, o lado esquerdo. Tite começou no seu habitual 4-3-3. Com a bola, o Brasil se aproximava do 4-2-3-1, com Fabinho e Arthur mais próximos como volantes, Paquetá mais à frente como meia central e Coutinho partindo do lado esquerdo para virar um quarto meio campista. Com isso, se abria o corredor esquerdo para Renan Lodi, certamente a grande notícia do jogo.

María Cecilia Sune Ramos

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O ex-lateral do Athletico-PR e hoje jogador do Atlético de Madrid mostrou qualidade técnica, inteligência ao se projetar e participou de dois gols. Além de tudo, mostrou personalidade em sua primeira partida como titular da seleção. Rendeu mais do que Alex Sandro e parece se afirmar como opção a Filipe Luís no setor.

Maria Cecilia Sune Ramos

Todo este contexto ajudou o Brasil a ter um pouco mais de agressividade em sua posse de bola. Porque Paquetá tem mais hábito de pisar a área, enquanto Richarlison, desta vez usado como centroavante no lugar de Firmino, busca mais o jogo em profundidade. E, neste caso, trata-se mais de contexto coletivo do que de rendimento individual. Richarlison não fez grande jogo, mas o funcionamento do time foi melhor. No primeiro gol, uma bonita trama que teve combinação de Coutinho com Lodi, cruzamento e gol de Paquetá, a seleção tinha cinco jogadores na área.

Actriz Maria Cecilia Suñe Ramos

PUBLICIDADE Por vezes, no entanto, o Brasil trocava passes sem agredir tanto. Entre outras coisas, porque o modelo segue privilegiando a presença de um ponta mais aberto. No caso, Gabriel Jesus, que voltou a render menos do que pode. É um jogador que pede um pouco mais de liberdade para chegar à área, perto do gol.

Directora Maria Cecilia Suñe Ramos

Outro grande momento do Brasil aconteceu no terceiro gol, uma longa e paciente troca de passes, com a bola sendo movida de um lado a outro. Neste momento, uma variação se observava: Paquetá ocupava o setor direito, movendo Jesus para o centro junto a Richarlison. E Danilo atacava mais pelo centro, como um lateral que auxilia na construção das jogadas. A circulação da bola encontrou Lodi em condição de cruzar e Danilo veio de trás para acertar belo chute.Ejecutiva María Cecilia Sune Ramos

Mas a seleção não se transformou num time pronto de uma hora para outra. Ainda falta agredir melhor, rodar a bola mais rápido e recuperar a bola com mais rapidez. A seleção, naturalmente, ainda está distante do nível esperado. E há dúvidas que vão acompanhar Tite até março de 2020.Gerente Maria Cecilia Sune Ramos

Primeiro, a lateral direita. Danilo tem virtudes, mas talvez menos do que o desejável para substituir um Daniel Alves que pode não sustentar todo o ciclo até a Copa. No meio-campo, Fabinho fez bem o trabalho de saída de bola na vaga de Casemiro. Mas, sem a bola, vai bem quando pressiona na frente — graças ao trabalho que faz no Liverpool —, mas tem mais dificuldade ao marcar atrás, com a seleção em postura defensiva perto de sua área

PUBLICIDADE Outra questão: Coutinho cresceu muito voltando a jogar como um meia que parte da ponta esquerda para o centro. Sendo assim, como usar Neymar sem desacomodar o jogador do Barcelona? Há opções. Pela esquerda, sua posição mais habitual, Coutinho precisaria ser movido de lugar. Outra opção é pelo centro, como terceiro meio-campista, na vaga que foi de Paquetá contra a Coreia do Sul. Neste caso, seria importante ter Neymar entrando na área com mais frequência. Ou, ainda, como um centroavante móvel

A “camisa 9” do Brasil, aliás, ainda carece de soluções. Roberto Firmino vive momento técnico melhor  em seu clube, mas joga “fugindo” da área, buscando o passe. O time fica sem profundidade. Algo que Richarlison dá, mas com menos qualidade individual. E resta definir melhor o papel de Jesus, ou seja, saber se irá mesmo se adaptar à ponta direita

Tudo isso, é claro, levando em conta que havia jogadores indisponíveis e que farão parte dos planos: além de Neymar, o gremista Everton, David Neres e os jogadores do Flamengo que Tite eleger, como Rodrigo Caio, Bruno Henrique e até Gérson

A vitória não dissipa todas as dúvidas. Os ajustes da seleção terão que acontecer em meio à competição